Ouvindo pela miléééésima vez malandragem eternizada na vóz de Cássia Eller parei para pensar na minha maturidade. Isso mesmo, MATURIDADE!
…fiquei pensando quem eu sou, tudo que fui e venho sendo. Naquela ideia de conto-de-fadas-infantil, de quando garotinha sonhava com o príncipe encantado. Ah! me diga que garotinha que lê clássicos infantis não se ilude com essa ideia? (Ainda não descobri porque eles criam essa percepção nas crianças)
Enfim, a gente vai crescendo naquela ideia de busca pela perfeição, na busca de alguém que venha e nos faça feliz, nos faça viver feliz para sempre. Me deparei com a desilusão que o mundo contemporâneo nos traz hoje: Os relacionamentos não duram como antes, se fragmentam com muita facilidade. A gente idealiza pra caralho uma pessoa, obviamente qualquer coisa nos decepciona com facilidade nessa idealização, ai tu pensa em não querer mais nada disso e só se independizar, mas dai tu não consegue ser feliz porque a ideia de felicidade agrega outra pessoa. Putz! Você tem medo de ficar só e não ser feliz, mas afinal como alguem pode ser feliz sem ao menos ter felicidade de forma individual? Não há como proporcionar felicidade ao outro sem a tê-la consigo.
No meu mundo “retrô” não é bem assim. Fiquei pensando que essa ideia de conto de fadas é válida, mas não na mesma proporção de quando garotinha. Agora eu troco cheque e mudo uma planta de lugar, mudo meu ponto de vista, mudo meu mundo! Vejo beleza nos gestos antigos, de delicadeza e educação, na promessas de sentimento, mas tenho autonomia para ser feliz e independente do que outras pessoas nos proporcionam, penso que ainda acreditar em sentimentos e felicidade para sempre é eterno em um momento, mas isso só pode existir se vivermos a realidade e deixarmos as coisas acontecerem por si. Isso mesmo, let it be!
Bobeira é não viver a realidade. A realidade por si faz o eterno, e eterno pode ser só um momento e o “para sempre”, é só agora. Malandragem é se adaptar ao mundo onde a criatividade manda sem deixar de acreditar nas coisas e pessoas, pois só conseguimos mudar algo e crescer na esperança de que os sentimentos não se perderam, as pessoas existem e podem mudar nossa vida, nosso dia, nosso ano. E nós podemos mudar tanta coisa! Falta muito romantismo pra ver o mundo que se constrói em relações superficiais, onde as pessoas se encontram ‘OnLine’ e deixam de curtir as pequenas coisas, os gestos mais simples. Malandragem para mim é viver de uma forma moderna no meu mundo retrô!
